“O estudo é a luz da vida”. Essa foi uma das primeiras frases de efeito que aprendi e que tomei como lema para a minha vida. Ela estava escrita na moldura do pequeno quadro-negro que meus pais compraram para que eu e minha irmã pudéssemos brincar de escolinha.
Com a ajuda desse quadro-negro e mais a criatividade da minha irmã mais velha, eu aprendi as primeiras letras. Com essa frase, que para muitos poderia passar despercebida, eu aprendi uma importante lição de vida. Lição que meu pai sempre reforçava com outra frase: “É preciso estudar para ser ‘alguém’ na vida”.
Parece que eu aprendi direitinho, segui sempre estudando e gostando cada vez mais de descobrir o mundo a minha volta através dos livros e dos mestres. Nem mesmo uma reprovação foi capaz de me indispor com os estudos. Pelo contrário, só me fez reavaliar minha auto-suficiência e perceber que não basta ser capaz, é preciso provar isso, ainda que através métodos falíveis e pouco realistas.
Aprender é uma das coisas que mais gosto na vida. E graças a Deus, aos meus pais e ao meu país (estudei sempre em escolas públicas) eu tive a oportunidade de crescer e estudar a cada dia mais. Era como uma progressão natural para mim: primeiro o primário (como era chamado na época), depois segundo grau, depois a faculdade, depois o mestrado, depois o doutorado...
Em nenhum momento pensei que não seria capaz. Apenas fui dando um passo depois do outro, fazendo a minha parte e deixando que Deus me desse um empurrãozinho quando Ele achasse necessário. E assim foi; realizei os meus objetivos profissionais e hoje posso dizer que quero ainda muito mais. Quero estudar sempre.
Ser ou não ser ‘alguém’ na vida para mim foi razoavelmente fácil. Tive escolha e tive oportunidades, foi só uma questão de querer e correr atrás dos meus objetivos. Uma pena que, para a maioria dos brasileiros de hoje, não basta correr atrás e esperar que Ele dê um empurrãozinho. Agora é necessário que Ele opere um verdadeiro milagre!
Estudar no Brasil, em poucas décadas, tornou-se muito mais difícil e, para alguns, impossível. Pois mesmo dentro das escolas os jovens pouco aprendem, pouco crescem e pouco se realizam. Uma pessoa não precisa de uma faculdade para se realizar, mais precisa da opção, da escolha de fazê-la ou não. Precisa do direito a sonhar, do direito a planejar o seu futuro.
Poder olhar pra frente e ver um mundo de oportunidades, de possibilidades, é um privilégio de poucos, quando deveria ser um direito de todos. Todos deveriam ter o direito de escolher ser um soldador, um mecânico, um engenheiro, uma babá. Sendo formado para isso, tendo a possibilidade de exercer com dignidade e sucesso a carreira escolhida.
Vergonhosamente, hoje, no Brasil, ser ou não ser ‘alguém’ na vida está longe de ser uma escolha. É mais uma questão de sorte, uma questão de nascer numa família que possa pagar seus estudos, ou não. Quem se encaixa no ‘não’ só pode escolher entre sobreviver nas garras do sub-emprego ou morrer nas garras do crime organizado.
Enfim, o curral ou abate? Eis a questão!