Quarta-feira, Junho 27, 2007

Kesä!

Essa palavrinha faz sucesso aqui na Finlândia. Muita gente passa o ano inteiro só esperando chegar a época de pronunciá-la todos os dias.

Kesä é quando todos ficam felizes, corados e sorridentes. Como se uma aura de felicidade, repentinamente, envolvesse a nacão inteira e contaminasse a todos.

É tempo de frutas frescas, muita cor e sabor nos mercados, nas feiras ao ar-livre e no palito também. Sim, picolés e sorvetes são muito bem-vindos quando é kesä.

Os dias parecem não terminar mais, juntamente com a energia de nossos corpos. Quando é kesä, difícil é desligar as baterias e dormir, afinal, o sol ainda reina lá fora, e perder qualquer minutinho dele parece um desperdício nessa terra tão ao norte.

Por isso, quando o dia é da rainha, e não do rei, todos ficam mais cabisbaixos, ainda que saibamos o quanto a água é importante para manter as folhas das ávores verdes, as flores coloridas e a natureza no seu maior estágio de exuberância.

A chuva também faz parte dessa festa, mas fica difícil aceitá-la com carinho quanto perdemos, por conta dela, nossos preciosos raios de sol.

Ele é, certamente, a maior estrela dessa festa. É por ele que saímos de casa todos os dias depois do trabalho. É por ele que nos despencamos para qualquer praia ou parque e nos estedemos no solo, imóveis, durante horas.

Uma caminhada no bosque, um piquenique no parque, um churrasco no quintal, uma cidra na varanda. Isso é tudo o que queremos fazer quando é kesä! Qualquer coisa que nos permita mais um raio de sol!


Sexta-feira, Junho 15, 2007

Socorroooooo

Li essa matéria hoje sobre as péssimas condicões do quartel que está abrigando a Forca Nacional no Rio de Janeiro e fiquei indignada. Olhem só em que condicões esses profissionais estão tendo que trabalhar.

É de dar revolda na gente, não é não? E o pior é a declaracão do senhor secretário de seguranca:

"Para o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, os problemas do quartel são de fácil resolução e as condições de alojamento não atrapalham o rendimento da tropa. “São medidas mínimas, trazer colchões, beliches. Não vai prejudicar o trabalho da tropa porque será resolvido em um período muito curto."

PQP! Então espantar ratos durante a noite, comer comida azeda e ter que fazer faxina não atrapalha o rendimento da tropa? Caraca, será que eles não heróis o sufieciente colocando a cara pra levar tiro de bandido nos morros não? Têm que sofrer mais um pouco quando voltam da missão?

Que mania que brasileiro tem de achar que os outros são mártires! Não precisamos de mártires não, precisamos é de profissionais qualificados e respeitados, ora bolas. Um dia num moquifo desses é um desrespeito que nenhum profissional merece!

Como estamos cansados de repetir: é por isso que o Brasil não vai pra frente!

Terça-feira, Junho 12, 2007

E o samba pede passagem... vamo que vamo


Foi assim mesmo. Neste sábado o samba pediu passagem na capital da Finlândia. E o astro-rei autorizou, abencoando o dia com muito calor e luz.

Chegamos à Praca do Senado um pouco antes do desfile e já encontramos lá uma galera brasileira pra lá de animada.

O centro da cidade estava lotado de gente, o samba já rolava solto e muitas pessoas transitavam com suas fantasias de um lado para outro. Era um clima de muita alegria e paz, um clima de verão capaz de animar a qualquer um.

E nesse clima fomos buscar um lugarzinho à sombra (quem diria!) para assistir ao desfile das escolas de samba. Todas muito animadas e coloridas, algumas muito bonitas e organizadas, outras nem tanto. Mas o que conta mesmo neste carnaval daqui é a diversão, a oportunidade de poder sentir na pele a vibracão que o samba traz.

Por isso, o povo quer muito mais e continua a festa à noite numa boate. Show das baterias nota 10 das escolas daqui, juntamente com a alegria e o charme das passistas finlandesas. E não é que elas "dizem no pé"? É o samba mostrando a sua forca e rompendo todas as barreiras.

A galera da capoeira também fez bonito, com um show de acrobacias e muita animacão na hora de entoar os cantos que acompanham os movimentos.

Mas para mim, o melhor da festa foi dancar ao som de "Carro velho", "Abalou", "Levada louca", entre outras. O repertório da Ivete é demais, quando toca não dá pra ficar parado mesmo. É soltar a franga, se acabar e ... tirar o pé do chão, literalmente!

Ziriguidum


As mulatas do carnaval de Helsinki

Sábado, Junho 02, 2007

Ser ou não ser

“O estudo é a luz da vida”. Essa foi uma das primeiras frases de efeito que aprendi e que tomei como lema para a minha vida. Ela estava escrita na moldura do pequeno quadro-negro que meus pais compraram para que eu e minha irmã pudéssemos brincar de escolinha.

Com a ajuda desse quadro-negro e mais a criatividade da minha irmã mais velha, eu aprendi as primeiras letras. Com essa frase, que para muitos poderia passar despercebida, eu aprendi uma importante lição de vida. Lição que meu pai sempre reforçava com outra frase: “É preciso estudar para ser ‘alguém’ na vida”.

Parece que eu aprendi direitinho, segui sempre estudando e gostando cada vez mais de descobrir o mundo a minha volta através dos livros e dos mestres. Nem mesmo uma reprovação foi capaz de me indispor com os estudos. Pelo contrário, só me fez reavaliar minha auto-suficiência e perceber que não basta ser capaz, é preciso provar isso, ainda que através métodos falíveis e pouco realistas.

Aprender é uma das coisas que mais gosto na vida. E graças a Deus, aos meus pais e ao meu país (estudei sempre em escolas públicas) eu tive a oportunidade de crescer e estudar a cada dia mais. Era como uma progressão natural para mim: primeiro o primário (como era chamado na época), depois segundo grau, depois a faculdade, depois o mestrado, depois o doutorado...

Em nenhum momento pensei que não seria capaz. Apenas fui dando um passo depois do outro, fazendo a minha parte e deixando que Deus me desse um empurrãozinho quando Ele achasse necessário. E assim foi; realizei os meus objetivos profissionais e hoje posso dizer que quero ainda muito mais. Quero estudar sempre.

Ser ou não ser ‘alguém’ na vida para mim foi razoavelmente fácil. Tive escolha e tive oportunidades, foi só uma questão de querer e correr atrás dos meus objetivos. Uma pena que, para a maioria dos brasileiros de hoje, não basta correr atrás e esperar que Ele dê um empurrãozinho. Agora é necessário que Ele opere um verdadeiro milagre!

Estudar no Brasil, em poucas décadas, tornou-se muito mais difícil e, para alguns, impossível. Pois mesmo dentro das escolas os jovens pouco aprendem, pouco crescem e pouco se realizam. Uma pessoa não precisa de uma faculdade para se realizar, mais precisa da opção, da escolha de fazê-la ou não. Precisa do direito a sonhar, do direito a planejar o seu futuro.

Poder olhar pra frente e ver um mundo de oportunidades, de possibilidades, é um privilégio de poucos, quando deveria ser um direito de todos. Todos deveriam ter o direito de escolher ser um soldador, um mecânico, um engenheiro, uma babá. Sendo formado para isso, tendo a possibilidade de exercer com dignidade e sucesso a carreira escolhida.

Vergonhosamente, hoje, no Brasil, ser ou não ser ‘alguém’ na vida está longe de ser uma escolha. É mais uma questão de sorte, uma questão de nascer numa família que possa pagar seus estudos, ou não. Quem se encaixa no ‘não’ só pode escolher entre sobreviver nas garras do sub-emprego ou morrer nas garras do crime organizado.

Enfim, o curral ou abate? Eis a questão!