Segunda-feira, Agosto 22, 2005

Contagem regressiva

Ir embora não é uma tarefa fácil. Assim como não foi fácil, há dois anos atrás, deixar família, amigos, trabalho (no meu caso), casa, cheiros, paisagens e aromas brasileiros, também não será fácil deixar essa terra que sempre nos recebeu tão bem, que nos deu momentos ímpares, paisagens singulares e amigos muito especiais.

É muito lindo ver como fizemos amigos. E isso pode ser medido pela quantidade de gente que quer ter um momentinho a mais conosco, que tem nos convidado para passar o fim de semana numa casa de campo, como a Ana e o Sami; que têm nos chamado para comer picanha em Tampere e conhecer a cidade, como a Susana e o Marcelo; que estão organizando almoço de despedida pra gente, como a galera da comunidade dos brasileiros na Finlândia, liderados pela Lidi, enfim, por uma quantidade imensa de pessoas que está fazendo questão de nos mostrar o quanto somos queridos.

Assim como nossos amigos argentinos, Patricia e Fernando, que prontamente nos aceitaram debaixo de seu teto, assim que dissemos que ficaríamos desalojados por algumas semanas. E o mais gostoso de tudo é saber que teríamos ainda muitos amigos dispostos a nos acolher, se precisássemos. É muito importante saber que, mesmo quando estivermos no Brasil, do outro lado do oceano ainda temos amigos com quem podemos contar.

Pois é, pessoal, a Finlândia está indo, mas tudo o que vivemos aqui estará para sempre guardado em nossos corações. E nas linhas desse humilde blog. E nas nossas inúmeras fotos digitais.

Como essas:


Deu pra sentir o cheirinho da picanha assando? O Cássio, o Marcelo, a Susana e eu jamais esqueceremos!

Beijos a todos!



Segunda-feira, Agosto 08, 2005

Ankkaroooooooock!

O início do verão na Finlândia significa o início dos festivais. Tem festival de rock, jazz, ópera, além de festivais underground. O motivo é óbvio: antes de maio e a partir de setembro já está frio demais para passar o dia inteiro ao ar livre assistindo shows, então a hora de aproveitar é agora.

Neste fim de semana teve o que é tradicionalmente o último grande festival de verão, o Ankkarock. Por ser o último dos festivais, dizem que costuma ser também um dos melhores, porque as bandas gastam toda a energia acumulada ao longo do verão. E como teve energia!

O festival durou dois dias, com umas onze horas de duração cada dia. Fomos apenas no domingo, e como queríamos guardar energia para os últimos dois shows, chegamos umas quatro horas depois de começado o evento. Chegamos no início do show de Jonna Tervomaa, uma cantora finlandesa de pop rock. Foi bacana, principalmente pela feliz escolha de instrumentos do tecladista: um Hammond, um Rhodes e um sintetizador analógico.

Dali descansamos um pouco e fomos assistir Within Temptation, da Holanda. Muito boa surpresa, porque não conhecíamos a banda “oficialmente”, embora tenhamos reconhecido umas quatro músicas que não sabíamos antes quem tocava.

Mais uma pausa para descansar e comer aproveitando as bandas meio chatinhas. Dessa vez o “chatinho” da vez era o Franz Ferdinand, do Reino Unido.

Baterias guardadas, chegou a vez de APOCALYPTICA. Não sei se essa banda é conhecida no Brasil, então antes de falar do show tenho que explicar um pouco a formação da banda. É uma banda que tem tudo para dar errado. Primeiro, porque eram músicos clássicos que resolveram tocar heavy metal, então poderia ficar um tanto artificial ou sem a atitude que se espera de um rock pesado. A escolha de instrumentos é inusitada, além do baterista são quatro violoncelos. Só. A não ser por eventuais aparições especiais, não tem canto, é só instrumental.

Desmentindo os mitos: o que não falta é atitude no show, que é energia pura. Os violoncelos cumprem muito bem o papel de baixo, guitarra base e solo, com a vantagem de que eles alternam os papéis o tempo todo, além do timbre do violoncelo distorcido ser pesadíssimo, até mais que uma guitarra normal. O instrumental é tão poderoso que não dá para ficar parado, nem precisa de ninguém cantando, e quando era alguma música com canto, o povo fazia o papel de vocalista. Sem dúvida um dos melhores shows que já assisti.

Do Apocalyptica saímos correndo para o palco principal para ver Nightwish. Excelente. A maioria das músicas era do Once, mas também teve direito a músicas mais antigas, como Wishmaster e The Kinslayer. Claro que o povo delirou com Nemo, mas o encerramento com Wish I Had An Angel foi delirante. Menção honrosa também para Kuolema Tekee Taiteilijan, que foi muito emocionante. Os efeitos de palco também estavam ótimos, com direito a bolas de fogo no refrão de Wishmaster e Wish I Had An Angel.

Enfim, um festival muito bom para fazer a despedida do verão, e no nosso caso, uma pré despedida da Finlândia. Pena que acabou.

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Within Temptation

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Metaleiros de ocasião.

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Apocalyptica

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Mais Apocalyptica...

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Nightwish

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Wishmaster!


* Texto publicado inicialmente em Idéias Mutantes.